Caravana dos Povos Indígenas visita aldeia Teko Haw em Paragominas como preparação para a COP 30
Encontro marca etapa de escuta ativa da Secretaria dos Povos Indígenas e reforça protagonismo do Povo Tembé nas discussões climáticas

Com cantos, rodas de conversa e troca de saberes, a Caravana dos Povos Indígenas rumo à COP 30 esteve na aldeia Teko Haw, localizada na Terra Indígena Alto Rio Guamá, no município de Paragominas, sudeste do Pará. A atividade integra uma série de encontros promovidos pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), com o objetivo de garantir participação efetiva dos povos originários do Pará na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em Belém, em novembro deste ano.
Durante o encontro, a Sepi realizou diálogos com lideranças indígenas, juventudes e anciãos, abordando temas como mudanças climáticas, direitos territoriais e políticas públicas ambientais. A iniciativa busca fortalecer a representação dos povos indígenas nos debates internacionais sobre o clima, com propostas construídas a partir da realidade de seus territórios.
“Estar na Terra Indígena Alto Rio Guamá, com meu Povo Tembé, tem um significado profundo para mim, como mulher indígena e como secretária de Estado. Esta Caravana é um momento histórico, em que unimos nossas vozes para garantir que o Povo Tembé e todos os povos indígenas do Pará estejam preparados e representados na COP 30”, afirmou a secretária estadual dos Povos Indígenas, Puyr Tembé.
Território tradicional e resistência
A Terra Indígena Alto Rio Guamá é um dos mais antigos e extensos territórios homologados do Pará, com aproximadamente 279 mil hectares. A área abrange os municípios de Paragominas, Nova Esperança do Piriá, Capitão Poço e Santa Luzia do Pará, e é habitada por cerca de 2.500 indígenas do povo Tembé, distribuídos em 42 aldeias.
Após décadas de ocupações ilegais, a área foi objeto de processo de reintegração de posse, concluído em 2023 por meio de ação conjunta de órgãos federais e estaduais. Desde então, foram iniciadas ações de restauração ambiental, formação de brigadas indígenas e implementação de políticas educacionais específicas.
Para Valdeci Tembé, liderança da aldeia Cajueiro, o momento é de reconstrução. “A Terra Indígena Alto Rio Guamá passou por um processo de desintrusão após anos de luta, e agora estamos trabalhando na recuperação das áreas desmatadas. Todos sabem que o desmatamento contribui para o aquecimento global. O que queremos é fazer o contrário: recuperar essas áreas degradadas. E para isso precisamos de apoio”, declarou.
Escuta e construção coletiva
A importância da escuta direta e da construção coletiva das propostas foi destacada pelas lideranças locais. Valsanta Tembé, liderança da aldeia Teko Haw, destacou a necessidade de diálogo com os órgãos governamentais. “Tivemos a oportunidade de levar nossas propostas sobre a COP 30, melhorar a nossa vida dentro da aldeia, e construir parcerias. Também queremos o olhar de outros países voltado para a nossa terra, em defesa da floresta”, afirmou.
Sérgio Tembé, também da aldeia Teko Haw, ressaltou o papel da Caravana na preparação da comunidade. “É muito importante essa Caravana. Agora, estamos preparados para a COP 30”, disse.
Consulta prévia e participação qualificada
O povo Tembé é um dos primeiros no Pará a adotar o Protocolo de Consulta e Consentimento Livre, Prévio e Informado, documento que assegura a autonomia na participação em decisões que impactam o modo de vida dos povos originários.
A presença da Caravana na aldeia Teko Haw reforça esse protagonismo e contribui para uma participação qualificada dos povos indígenas na conferência. “Levar essa discussão até as aldeias é reconhecer a centralidade dos povos da floresta na construção de soluções para o futuro do planeta. A COP 30 será realizada na Amazônia, e não existe Amazônia sem os povos indígenas”, destacou a secretária Puyr Tembé.
Etapas da Caravana
A Caravana dos Povos Indígenas rumo à COP 30 percorrerá oito etnorregiões do Pará. A iniciativa visa garantir que os povos originários estejam presentes no evento da ONU não apenas como convidados, mas como participantes ativos, com propostas construídas em diálogo direto com suas realidades e experiências de resistência e preservação ambiental.

