Amazônia ganha centro para recuperação ambiental com abordagem socioecológica
Iniciativa reúne mais de 100 pesquisadores e mira transformação da cultura da destruição para a restauração florestal

A Embrapa coordena um novo centro dedicado à recuperação de ecossistemas degradados na Amazônia Legal. Batizado de Capoeira (Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia), o projeto reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições nacionais e internacionais. A proposta foi aprovada pelo CNPq no edital Pró-Amazônia e terá um investimento de R$ 14 milhões, com sede em Belém (PA) e atuação integrada em rede virtual.
O Capoeira irá estudar mais de 100 sítios de restauração nos estados da Amazônia Legal, envolvendo áreas de floresta secundária, florestas degradadas, sistemas agroflorestais e ambientes aquáticos. A atuação inclui análise de carbono, biodiversidade e os impactos de diferentes técnicas de restauração, como regeneração natural, plantio assistido e semeadura direta. Sistemas Agroflorestais (SAFs) são os mais pesquisados, representando 37,88% das iniciativas analisadas até agora.
Apesar da variedade de estudos, os pesquisadores identificam lacunas importantes sobre os aspectos socioeconômicos e culturais da restauração ambiental. Por isso, o Capoeira busca ir além da ciência, promovendo articulação com comunidades locais para uma transformação que substitua a lógica da destruição pela da restauração, segundo Joice Ferreira, coordenadora do centro.
Três regiões amazônicas foram definidas como prioritárias para as ações de campo: Santarém (PA), o mosaico do Gurupi (PA/MA) e o Nordeste Paraense, incluindo Bragança, Capitão Poço, Irituia, Tomé-Açu, e ainda Paragominas, que fica no sudeste paraense. Esses territórios são considerados laboratórios vivos por concentrarem transformações ambientais históricas e por manterem parcerias consolidadas com populações locais.
A expectativa é que o Capoeira atue como um articulador entre ciência, saberes tradicionais e políticas públicas. Para Ima Vieira, do Museu Emílio Goeldi, essas conexões devem ampliar a escuta e a co-construção de estratégias mais efetivas de recuperação, respeitando o contexto biocultural de cada território.
Por Célia Santos , com informações da Embrapa Oriental, para Notícias Diárias
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